Bem, eu sei que tu sempre quiseste ler aquela pequena parte da minha escrita que sempre escondi de toda a gente, mesmo dos desconhecidos eu escondi textos, histórias, vitórias e ressentimentos que sempre desejei não ter.
Pois bem, eu acho que me sinto preparada para te mostrar alguns textos escondidos, algumas partes do meu diário, eu sinto-me preparada para mostrar aquele pouco do meu ser escondido, parte do meu pensamento, sofrimento, a minha maneira de ser.
Embora esteja preparada para mostrar tudo isto não me sinto a vontade para falar sobre certos assuntos escritos, não me sinto preparada para falar sobre certos ódios, sobre poucos sofrimentos e infelizmente não tenho coragem de dizer tudo aquilo que escrevo.
Tu sabes o quando eu gosto de escrever e durante toda a vida eu guardei todos os meus textos comigo, no meu coração e para que ninguém os visse, rasgava e sem pena deitava-os ao lixo. Arrependo-me muito disso, pois hoje desejaria recordar momentos da minha vida pela minha escrita e até mesmo ver a evolução desta. Mas como sempre fui fraca, não fui capaz de os guardar ou mostrar a alguém para que me compreende-se melhor e deixei que o tempo os levasse.
Sempre mostrei muito aquilo que sentia e talvez por vezes me tenha aproveitado um pouco disso para mostrar a pessoa que não sou, para me mostrar forte, e quando digo forte digo rancorosa, bruta, sem dó nem piedade, e consegui passar essa imagem a muita gente que de facto não me conhecia, consegui mostrar que nada me magoava, que de facto nunca chorava e por causa de toda essa minha falsidade deixei que brincassem com os meus sentimentos, coisa que tu vieste mudar na minha vida. Fizeste-me sem duvida crescer e olhar o mundo a minha volta, ver o quanto as pessoas eram diferentes, fizeste-me ver que embora eu fosse fraca, trapalhona, sentimental e me baseasse na escrita para viver tu não deixarias de gostar de mim, e quando tudo isso se fez ver por entre as milhares falsidades do meu ser eu mudei, eu passei a mostrar um pouco mais de mim, passei a mostrar o quanto querida eu posso ser quando sinto amor e carinho, tendo algumas recaídas quando sinto que houveram coisas que mudaram a mais, quando sinto que mostro demasiado o meu ser, e por ter medo de sofrer vivamente sem mascaras eu renego-me e volto a entrar na falsidade das mascaras e tu voltas a fazer-me ver que nem todas as mascaras nos tapam totalmente a cara.
Com os mais ternos beijos deixo-te as minhas cartas e textos, Tiz.